10/06/2019

Como ficamos depois da morte dos nossos pais

Seria mesmo da lei da vida que os filhos sobrevivam aos pais?

Podemos ou temos que aceitar a morte de nossos pais. Mas qualquer ausência, qualquer separação é uma fonte de sofrimento, não nos é ensinado, contudo, somos  obrigados a administrar. Que é fácil não é, porém, temos que enfrentar de cabeça erguida, sorrindo ou chorando.

É uma dor que abala as estruturas.

Um vazio que não se preenche e muitas vezes pensamos que jamais vai se curar. Depois da morte de nossos pais perdemos o chão e o que alivia são as boas lembranças, as fotografias, o amor que guardamos no coração.

Você está preparado para a morte de seus pais?

Podemos dizer que a dor pela morte de nossos pais será de acordo com a união que tivemos com eles. E não importa se nossa vida já era independente, se tínhamos nossa própria família ou não, se vivíamos longe ou perto.

Mas importa nossa convivência durante a vida.

Nossa afetividade para com nossos pais, a compreensão para com eles. Lembrando que nossos pais sempre quiseram nosso bem e muitas vezes nós não os compreendemos.

E se existe uma não compreensão de nossa parte e nós vamos deixando de lado  tarefa de entender nossos pais, quando eles se vão nós desabamos.

Desabamos porque ai que vamos entender o quanto o pai ou mãe significava para nós. O nunca mais se torna difícil de digerir, a sensação de vazio cai sobre nossas cabeças.

Não seria melhor um entendimento em vida? E cabe ao filho buscar esse entendimento justamente por ser ele mais jovem. Não esperar vir o luto para sentir na carne o remorso. Então, vem a raiva de si mesmo, a dor emocional que espanca a alma.

Mas cada pessoa irá enfrentar de uma maneira, pois cada vivência é uma diferente. Com isto queremos dizer que não devemos ficar ofendidos se um irmão ou outro membro da família parecer não ser afetado, ou reagir de uma maneira muito exagerada.

A dor é canalizada de maneiras muito diferentes e nem todos são igualmente hábeis em administrá-la. Pode ser um remorso, uma dor dilacerante pela falta de entendimento. Cada um vai encontrar o seu canal de alívio ou dor à sua maneira.

Assim, o sofrimento vai amenizando dia a dia. Tudo passa na vida, alegria passa, mas a dor também passa.

Não deixa para amanhã, procure seus pais e diga a eles que os ama, será que amanhã poderá fazer isto? E se não for capaz de dizer uma palavra de carinho por ser tarde demais? Assuma seus sentimentos, eles são bons e só você não viu isto ainda.

Deixa ressentimentos de lado, abra mão deles em favor de ter paz no coração. Esqueça as divergências ocasionais, o vínculo entre pais e filhos é muito maior. Sorria para seus pais, abrace-os.

Marta Peres