11/01/2019

CONSELHOS: Ex-assessores de comunicação avaliam postura do governo Bolsonaro com a imprensa

Z/E/N

Para o jornal Folha de São Paulo, a estratégia de Bolsonaro de se utilizar das redes sociais como principal canal de comunicação com a população funcionou na Eleição, mas está fadada ao fracasso durante o governo.

A Folha ouviu seis ex-porta-vozes e secretários de Comunicação, dos governos José Sarney (1985-90), Fernando Collor (1990-92), Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), Lula (2003-10), Dilma Rousseff (2011-16) e Michel Temer (2016-18).

Todos elogiam o caráter inovador do uso de redes sociais por Bolsonaro, mas acreditam que, para governar, é preciso mais do que uma overdose de tuítes e recomendaram a nomeação de um porta-voz para a unificação do discurso.

A estratégia evita o que é chamado de ‘quebra-queixo’, aquela entrevista improvisada e algo caótica, geralmente após um evento aberto.

“A monotonia dos briefings diários e dos comunicados de imprensa permite ao governo transmitir melhor o que acha importante do que vários quebra-queixos simultâneos de múltiplas autoridades. O tédio é preferível à confusão” – argumentam.

Márcio Freitas, ex-secretário de Imprensa de Michel Temer, foi mais enfático e recomendou uma estratégia de comunicação completa, que conjugaria os modelos novo (redes sociais) e a mídia tradicional .

“Comunicação direta é mais rápida, você não privilegia nenhum veículo, ganha em agilidade. Mas a mídia tradicional está estabelecida. Não é o caso de romper com o modelo anterior, eles podem coexistir.” – disse.

Abaixo, 10 dicas de sobrevivência do homem público com a imprensa. Servem indistintamente para os ocupantes de cargos em âmbito federal, estadual e municipal.

DEZ CONSELHOS DE EX-ASSESSORES DE COMUNICAÇÃO

1 – Campanha é campanha, governo é governo (e vice-versa); a comunicação de um momento não serve para o outro

2 – Cuidado com as entrevistas improvisadas, os chamados “quebra-queixos”; cercado por repórteres, é quando o presidente está mais propenso a cometer deslizes

3 – Recuos e ‘bateção’ de cabeça são normais num governo; o que não pode ocorrer é a confusão prosperar por horas e se transformar numa crise

4 – A proximidade do assessor de comunicação com o presidente é fundamental; é preciso ter liberdade para entrar na sala dele sem ser anunciado

5 – Também é essencial conhecer a cabeça do presidente e saber de a A a Z o que ele pensa sobre tudo

6 – Redes sociais são indispensáveis, mas não se pode cair no erro de ignorar a mídia tradicional, que segue influenciando a agenda política

7 – Presidentes são seres indomáveis, que fazem o que querem, saem do script e ignoram discursos preparados; é preciso estar pronto para mudar todo o planejamento e o discurso oficial de uma hora para a outra

8 – Ministro só deve falar sobre sua área de atuação; invadir a competência alheia gera ciumeira e ruído

9 – Porta-voz não serve apenas para portar a voz, mas também para antecipar problemas e uniformizar o discurso do governo; e para apanhar em nome do presidente e servir de bode expiatório, caso seja necessário

10 – Não deixe o presidente agir com o fígado contra a imprensa; romper relações com algum órgão ou jornalista, só em último caso