13/05/2019

MARTA PERDES ESCREVE: A dor da saudade

Certa vez ouvi de alguém que na alma havia um buraco dolorido, uma dor lancinante que deixava a alma machucada. Nada havia que melhorasse ou matasse essa dor. Era uma presença constante de uma ausência dura e cruel.

Era algo que faltava, algo que mexia com o coração não o deixando descansar. Dor lancinante, capaz de matar. Faltava o ar, faltava o chão, a dor da saudade maltratava o coração.

Quando perdemos algo ou alguém tudo fica ruim, perde-se o chão.

Uma tristeza nos acompanha aonde quer que vá. Tudo é lembrança da pessoa e essa lembrança toma conta mexendo com a alma.

Quando a saudade chega tudo o que é bonito fica triste.

Uma mágoa toma conta do ser chegando a exaustão. A presença doce já não existe mais, perdeu-se de um momento para o outro. A voz já não se ouve mais, silenciou de vez como se uma luz houvesse sido apagada.

Vai-se a vontade de sorrir porque a saudade atormenta, os dias permanecem vazios e tristonhos.

O sonho se acaba, um sonho encantador deixa de existir porque o sol perdeu a luz e agora somente existe a cruz para carregar, mas os ombros já estão cansados e doridos.

E a saudade aperta, a dor vai crescendo no peito e todos acham que é feliz. Como se enganam!

Saudade, essa saudade que mais parece fome porque que não acaba nos coloca dentro de um vazio. Falta o ar, falta alegria, falta vontade de viver. De saudade, quer-se morrer!

O amado se foi e o amor permanece choroso e tristonho. O passado não passa e o amor permanece amando.

Sente saudade quem muito amou.

Marta Peres