15/04/2019

MARTA PERES ESCREVE: Uma pequena história

Digo que tenho esperança,

não chamo de ilusão

como muitos dizem ser.

Digo que enquanto vida tiver

resisto e tenho tudo para crer,

resistirei pela eternidade.

Contudo, se for ilusão

que eu me perca nela

e que o vento conduza

para onde quiser soprar

amanhã ou depois.

Eu sei, o céu lá está

e ele é para todos,

contemple-o,

eu o contemplo

sabendo que sou eterna

e Um Eterno nele vive,

agora, sempre.

Já lutei, luto,

contudo, sem arma,

somente nome e sobrenome

giz e o chão onde piso.

Nem todos os passos

foram permitidos, alguns

cortados, proibidos,

após prometidos

negados.

O céu está lá e ele sabe.

O céu irá afirmar

porque foi marcado,

foi jurado

sem que houvesse

pedido algum.

O vencer foi satisfação

e o trabalho foi árduo.

Porém, novamente virão,

vão chegar os tempos

e querem vencer

para dar continuidade

ou continuísmo,

imaginam deleite contudo,

espera-se pelo fim.

O céu está lá

e de lá tudo se vê e se ouve.

Tudo pode se transformar

e tornar cinzas,

o céu está escuro,

cinza escuro

e pode chorar

a qualquer momento,

o povo pede proteção,

pede liberdade,

pede luz

e libertação das sombras.

Prometeram,

não cumpriram

e o povo sofre,

quem acreditou sofre

e hoje descrê.

Mas voltarão

a lhe convidar

ao trabalho

depois…

não precisam mais,

sorrindo lhe atiram

num poço profundo,

poço da ilusão,

melhor não crer.

Mas o céu está lá

e quem está tudo vê.

O sol,

as estrelas,

a lua,

sentem que você chora

e virão novamente

derramar luz,

amenizar o cansaço

da crença,

até quando?

Mas persisto,

você persiste resistindo

mostrando ao céu os olhos

cansados, marejados

de lágrimas.

Porém, erga-se,

lute

com a força da vontade

e do sonho,

acredite

que novos tempos virão

porque o céu lhe pertence,

o céu me pertence

e é infinito.

Sua história vale mais que supõe!

Marta Peres