Sobre o episódio da criação da Comissão de Reestruturação do Trânsito da rua Cesário Alvim tenho ouvido sempre a mesma pergunta:
- E aí você conseguiu ?
Respondo: - Conseguiu..? Como assim?
- É... Conseguiu o que você queria?
- Mas, eu não estava querendo só para mim, nem abandonei a intenção.
- Mas, qual então é a sua intenção?
- Não deixar morrer a idéia de que é necessário mudar, não desistir. Nascer a semente de que todos precisam de todos, que todos precisam de cada um. A consciência, a participação, sair da mesmice.
- Mas e agora? Pelo visto até agora não fizeram nada... Será que vão fazer alguma coisa? Marcaram um dia..?
- O importante foi que através deste movimento não fugimos do que queríamos. Conhecemos a realidade local. Nessas últimas andanças entendi claramente que as pessoas estão carregando dentro de si rótulos, sonhos egoístas, crenças que as fazem achar que certas situações não lhes pertencessem. Aprendi que as pessoas estão se aprisionando, complicando, adiando encontros, saindo da freqüência existencial.
Estamos vivenciando uma situação onde as pessoas, principalmente os homens públicos, agem visando a sobrevivência, os benefícios do cargo e o povo se ilude que, um dia, vai encontrar alguém ideal para representa-lo.
Estamos vivendo um tempo de contrariedade, onde não existem políticos/líderes. Não existe uma visão de liderança por que não existe a capacidade de perguntar, ouvir, conviver dentro das divergências, buscar ações coletivas, não resumir no eterno erro: Será isso vai dar voto?
Pergunte para um político se determinada situação pode ser considerada normal, a espera que um dia será feito? Uma vez que a situação interfere negativamente na vida de tantos!
Pergunte para um político por que é comum perseguir no lugar de seguir o caminho? Pergunte para um político por que ainda com tudo que imaginam que fizeram ainda temos dentro de nós a sensação de que nada foi feito? Por que será que não encontramos políticos líderes?
Ele talvez vá buscar resposta no passado, no presente e nunca, nunca mesmo vai responder: estamos tendo dificuldades, que passam pela história de cada um. Estamos fugindo de tudo que um dia falamos nos palanques e até dissemos que não seria promessa, mas sim projeto.
Estamos carregando um inconformismo interno. Eu concordo com você, estamos aprisionados dentro de uma situação que caberia a nós liderar mudanças...
Mas, a realidade verbal é uma e a da realização plena é outra.
O dia que um político manifestar o pensamento com autenticidade, teremos encontrado o 'cara'!
Como seria construtivo se um político abrisse seu coração. Entendesse que é mais fácil alimentar a lagarta do que matar o casulo, pois alimentando a lagarta nascerá a borboleta, que seguirá seu destino de aprendizado constante. O destino da transformação, da mudança coletiva.
O eterno erro na forma de governar continua sendo a idéia de que, uma vez eleito, é senhor de tudo! Não é esse o terreno que devemos adubar. Não é esse o terreno que vamos contribuir para o despertar tão necessário que contribuirá para fazer a escolha.
Sim, por que somos nós que escolhemos os políticos, embora em pouco tempo a realidade mude. Infelizmente para pior.
Precisamos manifestar a vontade do que queremos para seja para a cidade, o Estado, o País. Embora a maioria negue a situação, culpa, adia, omite, faz que não sabe, seleciona dentro de interesses partidários.
Conhecemos um líder quando ele expressa o pensamento coletivo, quando ele abraça as causas em benefício de todos, quando ele desapega da cobrança de ter que agradar a poucos. A conclusão a que todos nós devemos chegar é: nada se resume a situação de conseguir! Mas compartilhar, inquietar, definir sua existência na caminhada onde todos precisam de todos! |