28/10/2009

Pare tudo

Estou ficando desanimada com certas situações que acontecem por aqui. Até hoje ainda não sabemos a real justificativa da demora no repasse das subvenções para as creches. Quando uma mãe leva seu filho para uma creche ela acredita que ali naquele espaço, por aquele tempo, toda assistência será dada ao seu filho. Mas tanto quem faz parte da diretoria ou quem trabalha vivencia uma situação diferenciada, angustiante!

Considero tudo isso uma falta de respeito e uma violação ao direito garantido de saúde, educação, dignidade.

Temos conhecimento que quatro reuniões já foram realizadas, sendo duas com o Prefeito e duas com o Secretário da Educação e instituições. Mas a solução não veio. E o dinheiro pelo FUNDEB veio ou não?

Como cumprir com compromissos? Buscar apoio? E apoio de quem?

Um Governo que não coloca em primeiro plano a criança deixa clara a falência do Estado, neste caso representado pelo nosso Município. Estamos acompanhando um verdadeiro desastre social. Não tem justificativa nenhuma para isso. O tempo passa e o dinheiro não chega… Ou chega e não é repassado a quem de direito?

Os vereadores deveriam buscar o fim desta situação. Alguém deveria escrever para algum Senador e colocar o que se passa por aqui. Talvez o Senador Paulo Paim, que não é mineiro mas é o Senador mais envolvido com as causas sociais e direitos humanos no Brasil. Quem sabe diante da possibilidade da visita do Ministro Patrus Ananias comunicar o que está acontecendo.

Tem uma frase que diz assim: “Pare o mundo que eu quero descer!” Então que pare tudo que estão tentando implantar por aqui e encontre dinheiro para repassar para essas instituições e que não suspenda depois.

Outro item é o convite para a discussão à respeito da instalação de câmeras em pontos críticos da cidade. Mais uma vez acontecerá uma situação de discriminação. Em quais bairros você acha que colocarão essas câmeras? Quem vai bancar este investimento? É preciso atacar a origem da situação vivenciada no nosso município, reflexo da falta de políticas públicas, desenvolvendo uma gestão comunitária de segurança.

Aí sim caberia a ACIP /CDL o apoio a um projeto social educacional cultural esportivo nos bairros. Quantos impostos pagamos criados para atender a saúde e educação? Será que também teremos que bancar o monitoramento? Estamos alimentando a cultura da segurança quando é dever do Estado, segurança é direito nosso.

A família, a escola e a igreja são controladores sociais ou seja estão próximos, conhecem a situação de risco, devem ser parceiros na prevenção. É preciso focar ações preventivas nos bairros tais como: realização de praticas esportivas, reurbanização de praças com apresentação de grupos locais, inclusão social, orientação sexual, campanhas educativas de prevenção a droga, violência e combate a discriminação social.

Podemos achar que o monitoramento é a solução, só que sozinho, ele não atinge o objetivo que é segurança. Existe também o trabalho desenvolvido através do Conselho Municipal de Segurança.

Corremos o risco de virarmos suspeitos até que se prove o contrário. Estava eu presente a apresentação do Grupo de Movimento de Rua na Conferência Municipal da Cultura. Na platéia alguns tentavam uma explicação para a escolha de tal grupo. Seria cultura? O
insight aconteceu quando associei a representatividade daquelas pessoas e a vida de cada um no seu dia a dia.

Ninguém escolhe ser “bandido”, crescer a margem e viver de migalhas, entrar para o crime… Na vida real deparamos com a cultura do ‘nasceu assim vai morrer assim’. Isso é uma demonstração da falência social do Estado. Não somos Nova York, nem São Paulo, nem Uberlândia.

Podemos vivenciar situações parecidas, mas é no desenvolvimento de várias ações que nos aproximaremos da qualidade de vida e respeito como cidadão que merecemos.

Tem um menor que está sempre vendendo balas, chocolates no centro. Outro dia ouvi:
– Sabe o que quero ter?
– O quê? – perguntei.
– Um dia quero ter um par de sapatos.

Mesmo que alguém diga é chantagem para vender. Nestes anos de convivência nunca vi em seus pés um par de sapatos. Essa situação de implantação de monitoramento me fez lembrar uma carta escrita por um detento quando a inauguração da Penitenciária que dizia : “infeliz a cidade que investe em presídios no lugar de escolas”.
Onde estará ele agora ???

Mônica Othero Nunes
Mônica_nunes@terra.com.br