22/04/2011

Carlos Veloso escreve, ‘Até quando vamos tampar o sol com a peneira?’

Enquanto nossos representantes no governo voltam a se preocupar com discussões para proibir o cidadão de bem de adquirir um revólver para defender sua família e seu patrimônio, os criminosos, como recentemente aconteceu em Porto Alegre, exibem lança-rojão AT-4, de fabricação sueca, arma esta capaz de destruir até carros blindados. Até quando vamos continuar sendo um país que explora o cidadão de bem e que dá direitos irrestritos para bandidos?

Como já disse o presidente nacional da OAB, esta atitude não é senão mais uma cortina de fumaça para desviar o foco dos reais problemas de segurança que devem ser enfrentados pelo governo, além de se constituir num desrespeito à vontade popular legitimamente expressada no referendo de 2005 onde 63,94% da população disse não ao desarmamento. É muito mais fácil desarmar o cidadão do que ter vontade política de cuidar da questão da segurança pública com atitudes como, por exemplo, alterar o código penal e criar condições para que as penas sejam mais duras e cumpridas na íntegra.

Enquanto continuarmos invertendo os valores, tratando o criminoso como vítima da sociedade e não como bandido, nós vamos continuar à mercê desses elementos sem piedade nem escrúpulos. Aliás, os bandidos devem estar morrendo de rir, comemorando com mais esta tentativa de campanha de desarmar a população porque para eles será muito mais fácil tendo a certeza de não serem surpreendidos, é tudo o que eles querem e a sociedade vai continuar colhendo o que nossos políticos estão plantando.

Hoje as armas estão tão sofisticadas e fáceis de adquirir através de nossas fronteiras que bandido não se satisfaz mais com um simples 38, eles se utilizam de pistola automática até fuzil ponto cinqüenta e qual será a origem da maioria dessas armas? Não são de fabrico nacional! Sabendo-se disso, será que não está passando da hora de colocar nossas forças armadas cuidando de nossas fronteiras atuando com força total no combate ao tráfico de armas e de drogas?

Na Inglaterra, por exemplo, após a proibição de porte de armas pelo cidadão comum, através do governo de Tony Blair, a criminalidade explodiu para níveis insuportáveis e alarmantes. Outro exemplo da ineficácia desta opção nós temos em Pernambuco, um dos estados onde a “Campanha do Desarmamento” mais teve força e apoio de políticos e autoridades locais e no entanto o índice de criminalidade explodiu nos últimos anos.

Enquanto no Brasil a média era de 19,2 mortes a cada 100 mil habitantes em 1992 e em 2007, após aquela campanha, o índice pulou para 25,4, os EUA possuem 275 milhões de armas nas mãos dos civis e mesmo assim, eles registram uma taxa de homicídios de 4,5 pessoas por 100 mil habitantes e ao contrário do Brasil todos os tipos de crimes vêm diminuindo nos últimos 10 anos.

Está mais que provado que o crime é a resposta do indivíduo ao meio em que vive. Com os baixos salários no país, fruto principalmente da exorbitante taxa tributária praticada, torna-se necessário que na maioria dos casais a esposa tenha também que procurar um emprego, e desta forma a criança é privada do convívio dos pais, do reconhecimento de seu valor pela família e no seu grupo social, e muitas vezes o resultado catastrófico é o sentimento de rejeição, ressentimento, insegurança e ódio de si mesma, ou seja, ela tende a não se identificar com os bons valores da sociedade e por conseqüência cresce na rua à mercê da influência de outros jovens, muitos deles já delinqüentes, que acham bacana ser “esperto”, “levar vantagem” e que o comportamento de ser trabalhador, honesto e não consumir droga “é coisa de careta”. Não há dúvida que o grau de delinqüência de uma comunidade é diretamente proporcional ao número de famílias mono parentais, ou seja, em que os filhos são criados só pelo pai ou pela mãe, ou até por nenhum deles.

Para piorar a situação, temos a malfadada “maioridade penal”. Está mais que provado que os tempos são outros e há necessidade premente de discutir este assunto com a maior urgência e seriedade porque como já dizia no século XVIII o jurista italiano Cesare Becaria “O que inibe o crime não é o tamanho da pena, mas a certeza da punição”.

Está provado também, que a solução não é inundar as favelas de policiais, construir mais cadeias ou comprar mais carros de polícia, é sim absolutamente necessário, sobretudo no momento em que vivemos, aprovar punições mais rigorosas, criar programas de prevenção articulados entre os vários níveis governamentais e a determinação do governo federal de assumir, definitivamente, sua parcela de responsabilidade na área da segurança pública, elaborando um trabalho sério com a “Inteligência Policial” para se entender a origem dos crimes no Brasil e optar por uma polícia selecionada e bem equipada, bem treinada proporcionando-lhes cursos de treinamento a nível internacional, comprometida com a legalidade e principalmente com salários dignos e compatíveis com a altíssima periculosidade da profissão.

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Carlos Veloso é técnico em mineração de diamantes, natural de Portugal e residiu por muitos anos na África do Sul. Atualmente mora em Patrocínio, no Bairro São Vicente.