23/07/2014

Cássio Remis cobra explicações da Vale durante Mapa da Mina

Em seu discurso durante a abertura da 5ª edição do ‘Mapa da Mina’, o vereador e presidente da Câmara de Patrocínio, Cássio Remis dos Santos, acabou por dar o tom que o evento deste ano precisava ter…

Um tom de incisiva cobrança!

Criado em 2010 e tendo como objetivo principal preparar os empresários rangelianos para o leque de oportunidades que se abriria com a vinda da Vale e outras empresas que chegariam juntos com a mineradora a Patrocínio, o evento foi saudado como inovador.

Mas, porém, todavia, contudo e entretanto, desde sua penúltima edição o ‘Mapa da Mina’ teve que se reinventar. O motivo: a Vale não veio! E até agora não deu satisfação. E essa lacuna deixa, a cada dia, o patrocinense cada vez mais desesperançoso.

Vários pontos do discurso de Cássio Remis evidenciaram essa preocupação, “Até outro dia nos reuníamos aqui neste mesmo evento, acalentados e embalados pela vinda imediata da Vale, trazendo em seu bojo investimentos bilionários. Essa possibilidade de instalação a curto e médio prazos da Vale nos encheu de expectativas e esperanças.” – afirmou.

A fala do presidente da Câmara foi um alerta e um pedido de socorro a quem de direito. Logo após a abertura do evento, o Secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, Rogério Nery se comprometeu em reunir o prefeito Lucas Siqueira, o presidente da Casa de Leis rangeliana, Cássio Remis, e diretores da Vale para solucionar o imbróglio.

A seguir, alguns pontos importantes do elgiado discurso de Cássio Remis. A leitura impõe uma reflexão não só às nossas lideranças locais, estaduais e federais e seus representantes, mas também ao empresário – seja ele de grande, médio ou de pequeno porte -, ao pai de família, ao cidadão comum que só deseja uma cidade que ofereça mais e melhores oportunidades.

Exigências
“As licenças ambientais foram concedidas com aval pleno de nossas lideranças. No que dependeu de nosso município nada ficou a desejar. Só condicionamos – e disso não abrimos mão – que a Planta Química fique em nosso território. Que tudo o que aqui for explorado, aqui também seja processado por meio do complexo industrial químico de Patrocínio, visando a produção de fosfatados de alta concentração. Lutamos, sim, para que haja agregação de valor às atividades de mineração e transformação mineral.

Só que agora não depende mais da administração pública municipal, nem de nossas lideranças. O que lhes era possível fazer; o que estava aos seus alcances foi feito, a tempo e a hora.”

Empresa deve satisfação
“E não mais que de repente a poderosa Vale tornou todo o barulho que fez no mais absoluto silêncio. Depois de ter assinado um Protocolo de Intenções com o Estado. Depois de ter, repito, regularizado todas as pendências ambientais, negociando grande parte das terras necessárias para sua instalação. Começamos 2013 com o modesto escritório que a empresa mantinha na cidade fechado.

A Vale deve uma satisfação pública ao povo de Patrocínio. Não pode deixar um buraco antes mesmo de cavar a cratera do que vai explorar de riqueza, por 100 anos adiante, um século de produção sem interrupção.”

Apoio dos governos estadual e federal
“E que, enquanto a Vale não vem – ela que nos fez acreditar que já estaria firme e forte entre nós – que o governo federal, seu principal acionista, e o governo estadual, seu avalista principal, nos ajudem a criar a infraestrutura necessária para receber a empresa, que agora ninguém mais sabe quando virá. Mas, que um dia virá, pois uma das maiores jazidas de fosfato do mundo é de Patrocínio e isso ninguém tira de nós.”

Cursos profissionalizantes
“Que enquanto a Vale não vem, os governos estadual e federal nos ajudem na criação de cursos profissionalizantes voltados para o setor, como, por exemplo, o curso técnico em mineração. Formar mão-de-obra é crucial para receber uma empresa desse porte.”

Duplicação de rodovias
“Nos atendam em nosso pleito de duplicação das BR-365 e MG-230. Nas melhorias e mudanças nos trevos da BR-365 com os trevos da MG-230 Patrocínio e MG-188 Coromandel. Muitas vidas vêm sendo ceifadas nestes trevos que são chamados de Trevos da Morte.”

Aeroporto no PROAERO
“Na inclusão (ou reinclusão) do aeroporto de Patrocínio no programa PROAERO, a exemplo do que fez com Araxá e Patos de Minas. Queremos, sim, uma restauração e ampliação da pista de pouso e decolagem do aeroporto de Patrocínio, mas que o capacitem a receber aeronaves de voos regulares, diurnos e noturnos, para os grandes centros do País.”

Mineroduto e gasoduto
“Que o prometido mineroduto de 18 quilômetros também seja efetivado, bem como o decantado e prometido projeto do gasoduto.”

Retirada dos trilhos do centro da cidade
“É também antigo pleito dos patrocinenses a transposição da linha férrea do centro da cidade, hoje atravessando 9 quilômetros, sendo que pelo menos 5 quilômetros em área de alta densidade de ocupação habitacional.”