19/04/2010

Cúpulas do PT e do PMDB mineiro já se decidiram por Hélio Costa

Um acordo entre as cúpulas nacionais do PT e PMDB, selado na noite da última quarta-feira, definiu pela candidatura única da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas. E o PT mineiro decidiu por realizar prévias para escolher entre o ex-ministro Patrus Ananias e o ex-prefeito da capital Fernando Pimentel o seu candidato ao governo. As duas decisões parecem antagônicas, mas, nos bastidores, o imbróglio já tem solução.

O palanque único teria como cabeça de chapa o senador peemedebista Hélio Costa, Patrus Ananias ficaria com a vaga para a disputa ao Senado e Fernando Pimentel sairia do jogo eleitoral para coordenar a campanha da ex-ministra Dilma Rousseff à Presidência da República. As prévias petistas definiriam apenas um nome para a negociação com o PMDB, mas não teriam caráter definidor. O prazo para tudo estar decidido é o dia 9 de maio.

A costura de bastidor feita pelos comandos nacionais dos dois partidos teria sido motivada por um fator: pesquisas internas encomendadas pelo PT revelaram que, com dois palanques da base aliada, Dilma Rousseff perderia a eleição no Estado e PT e PMDB não conquistariam o governo mineiro.

Em Belo Horizonte, Hélio Costa confirmou as movimentações que ocorreram em Brasília, em torno da definição mineira. Ele explicou que o palanque único da base aliada de Lula em Minas foi decidido em uma reunião entre o presidente nacional do PMDB, Michel Temer, e o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra. “No dia 9, não havendo acordo, tudo bem. Cada um para o seu lado e vamos à guerra”, afirmou, deixando claro que a paciência peemedebista está se esgotando.

Perguntado se poderia tentar uma candidatura solo (sem o PT), Costa explicou que a aliança não acontece “só entre PT e PMDB” e ressaltou que tem mantido conversas com vários partidos da base aliada. Ontem, ele almoçou com a bancada de deputados do PDT.

Costa também confirmou que, se o acordo não vingar, a aliança nacional corre risco, e deu um número para justificar sua afirmação. “Talvez tenham (os petistas) se esquecido de que Minas tem 69 votos no colégio eleitoral da convenção nacional do PMDB”, disse, lembrando que o apoio nacional do PMDB vai para onde for a bancada mineira.

O líder do PT na Câmara, Cândido Vacarezza, também fez as contas. Ele lembrou que Minas tem 10% dos votos na convenção do PMDB que vai oficializar a aliança entre os dois partidos. “Sem Minas, a situação estaria perigosa”, disse.

O Tempo