23/01/2009

DE GOIÂNIA, FLÁVIO ALMEIDA COMENTA MATÉRIA DOS SEM TERRA

Grande Zélói, parabéns! Um simples texto seu trouxe à tona uma boa discussão. E pôs à mostra a realidade da dúvida, de qual caminho devem seguir os homens quando estão na encruzilhada do poder.

Como um de seus interessados leitores, li seu artigo sobre ausência do vice-prefeito do PT na audiência que se realizou na última quarta-feira, sobre a invasão da fazenda Cachoeira, por cerca de 200 famílias. E li também a resposta de influente membro do PT acerca da mesma. Resposta, por sinal, que claramente ficou presa ao período eleitoral, ao palanque da campanha, ao afirmar que o PT local tem “ciência de que aquilo foi promovido por um adversário político, que tinha a intenção de desestruturar o processo eleitoral que estava em andamento, ou seja, o pleito eleitoral último, do qual nós do PT fizemos parte, e posso afirmar que, bem ativa essa participação”.

Ora, gente, a campanha já passou. Pelo que pudemos entender de seu artigo, José Elói, sua preocupação, ao cobrar a presença de alguma autoridade municipal na audiência é porque a “presença de uma autoridade municipal de porte seria importante, pois, afinal, cria-se, a partir de então, mais um caos social em nossa cidade, que já lida com um sem-número de problemas. Problemas que ao longo do tempo vêm gerando índices incontroláveis de violência urbana e rural. E dentro de 2 meses mais 200 famílias estarão vagando por aí, ao deus-dará, trazendo ainda mais transtornos sociais”.

Agora, se foi adversário político ou não que tremulou bandeira vermelha do MST no calor do período eleitoral, isso já passou. Quem comanda a cidade hoje tem que mostrar a que veio. A realidade em breve dias vai arrombar as portas da comunidade patrocinense. Duzentas famílias serão “distribuídas” por aí, ao léu, de déu-em-déu, infelizmente, com muito pesar.

É realmente uma pena o PT local dizer que, sobre esse gravíssimo problema social, “nós do Partido nos demos o direito de silenciarmos, e não tomarmos nenhuma atitude contra e nem a favor”. Mas o porta-voz do PT ao mesmo tempo se contradiz, quando registra, para as páginas da história de Patrocínio: “Desde o principio daquela invasão nós do Partido dos Trabalhadores não concordamos com atitudes daquela natureza e não fomos procurados pelos líderes daquele movimento, apesar de os mesmos tentarem incluir nosso Partido nessa mal lograda investida. Portanto, enquanto membro do PT, não vejo necessidade do vice-prefeito estar presente agora”.

Que nos desculpem meter a colher de pau, mas mesmo “enquanto” candidato, o vice oferecido pelo PT na composição deveria, sim, ter se manifestado. E muito mais agora, “enquanto” vice-prefeito, petista de fato e de direito, eleito, juramentado, empossado e já com 23 dias de responsabilidade que o cargo lhe impõe. Este problema da invasão é um problemão de Patrocínio.

Pelo que conhecemos do Dr. Fausto Amaral e do Estatuto do PT, a reforma agrária é uma das metas a serem atingidas em suas lutas. E, mais ainda, passadas as eleições, o que está na ordem do dia agora são os interesses da municipalidade, o bem-estar social do povo de Patrocínio, já tão assolado diariamente por tantos Boletins Policiais de Ocorrência. Então, o “maisumonline” tem razão: obrigatoriamente alguma autoridade deveria sim ter marcado presença na tal audiência, até porque, não nos esqueçamos, estiveram em Patrocínio o Juiz da Vara Agrária de Minas Gerais, Dr. Alberto Diniz Júnior e a Promotora de Justiça Márcia Pinheiro Oliveira Teixeira, duas autoridades de peso e medida.

O que nós particularmente entendemos como mais expressivo de sua matéria, José Elói, não serviu para a tônica da resposta: com esse “despejo” de 200 famílias da fazenda Cachoeira, em 2 meses estará criado, sem dúvida, “mais um caos social em nossa cidade, que já lida com um sem-número de problemas. Problemas que ao longo do tempo vêm gerando índices incontroláveis de violência urbana e rural. E dentro de 2 meses mais 200 famílias estarão vagando por aí, ao deus-dará, trazendo ainda mais transtornos sociais”.

Ponto para o “maisumonline”. O bom da imprensa é isso: ela registra para a posteridade a verdadeira face do presente. Uma sugestão: você tem o jornal impresso; publique nele a sua matéria sobre a invasão e a respectiva resposta do PT. Publique, José Elói, por favor, publique.

Flávio Almeida – Goiânia.
E-mail: mpbletrista@gmail.com