31/03/2011

Duelo: Reunião de logo mais na Lagoa Seca promete embate entre Lucas Siqueira e Joel de Carvalho

Acontece na noite desta quinta-feira (31) na comunidade de Lagoa Seca, uma reunião entre os moradores e produtores rurais da localidade, representantes da Vale e o poder público.

O objetivo do encontro não é outro senão a revogação do Decreto 2734 de 11 de março de 2011, que desapropria 4.871 ha naquela comunidade.

A área afetada é duas vezes maior que o perímetro urbano de Patrocínio e quase seis vezes maior que a constante no EIA/RIMA da Vale.

Na segunda-feira (28), mais de uma centena de moradores de Lagoa Seca e entorno se reuniram na quadra de esportes da localidade.

O encontro, coordenado pelo Fonasc – Fórum Nacional da Sociedade Civil e pelo Conselho Comunitário daquela região, foi conduzido pelo produtor rural, administrador de empresas, especialista em mineração e morador da região afetada Daniel Cardoso e pelo também produtor rural da localidade Antônio Geraldo de Oliveira.

Para essa quinta-feira, a promessa é que a presença de moradores, autoridades, imprensa e curiosos atinja mais que o dobro da reunião de segunda (28). Informais informantes informaram que a prefeitura municipal já solicitou ao comandante do 46º BPM um aparato policial para garantir a integridade física dos presentes.

Revogação do decreto

Os moradores pedem a revogação imediata do Decreto. Dentre as alegações, a insegurança que a ação do prefeito Lucas Siqueira promoveu no seio dos produtores rurais da comunidade, “Além de desvalorizar de uma hora pra outra nossas terras não estamos mais conseguindo contratar nenhum empréstimo ou financiamento com instituições bancárias, uma vez que a nossa propriedade não é mais aceita como garantia.” – informou preocupado, um produtor da localidade.

Os moradores da comunidade fazem questão de registrar que não são contra a vinda da Vale para o município e nem contrários a construção da planta química no local, mas contestam a necessidade da desapropriação dos mais de 4.800 há de terra sendo que a empresa, em seu projeto e no EIA/RIMA discutido com a comunidade na Audiência Pública prevê a utilização de 829 ha.

“Nenhuma empresa precisa de um latifúndio dessa magnitude para implantação de um complexo industrial que ocupa pouco mais de 829 ha. E outra coisa… É inadmissível a prefeitura usar dinheiro público que poderia ser utilizado na saúde, na educação, na recuperação das ruas e das estradas para desapropriar uma comunidade rural em favor da Vale, uma empresa privada, bilionária, a empresa que mais arrecadou no ano de 2010.” – comentou um produtor de café da localidade.

Considerada uma das regiões mais ricas do município, Lagoa Seca tem ao todo cerca de 12 nascentes que deságuam no Ribeirão Salitre e no Santo Antônio. Segundo estimativas, o local produz 50 mil sacas de café/ano, com um faturamento de 50 milhões de reais, além de leite, carne e grãos.

Prefeito explica, mas não justifica

O prefeito explicou o Decreto afirmando que o documento de desapropriação, na verdade, não está desapropriando ninguém, ‘foi feito única e exclusivamente para definir uma área de interesse para expansão industrial futura em Patrocínio’.

Segundo fontes que brotam no ‘Refúgio das Tartarugas’, Lucas Siqueira poderá reeditar a medida baixando dos 4.871 ha para menos de 1200 ha a área afetada.

A reunião de logo mais promete ainda o embate entre o vereador Joel de Carvalho (PP) e o prefeito. Chamado de ‘prefeitinho’ por Joel, Siqueira devolveu a afronta chamando Carvalho de ‘vereadorzinho’ e desafiou, “Quero ver se ele tem coragem de falar isso na minha frente’.

À nossa reportagem, o vereador Joel de Carvalho confirmou presença esta noite na reunião na comunidade de Lagoa Seca. O prefeito disse à mídia local que ainda não tinha recebido o convite oficial, mas que se fosse convidado iria.