04/02/2009

GUSTAVO, DO PARANÁ, COMENTA PRIMEIROS CAPÍTULOS DA NOVELA 23

Zé Elói,
você ainda não me conhece, mas sou patrocinense, formado em jornalismo e agora pós-graduando em Administração em uma universidade do Paraná.

Sou seu admirador de longa data. Acompanho seu trabalho com muito interesse e entendo direitinho o que você quer dizer, tanto explícita quanto implicitamente. Aliás, você é muito bom nas duas linguagens.

Pensei muito, mas resolvi fazer este comentário, analisando algumas peculiaridades do momento vivido por nossa Patrocínio.

Então vamos lá. Realmente não tem o menor sentido o Sr. HELTON BORGES ocupar tão alto cargo de confiança no governo 23. A pessoa quando se propõe a entrar num “esquema”, seja ele qual for, fica sob suspeita, perde a credibilidade e sua presença não se comporta em uma administração que apregoou, desde a campanha, renovação, seriedade e transparência.

Preciso confessar que votei no 23 (faço questão de manter meu Título na Zona Eleitoral daí).

Não votei no LUCAS SIQUEIRA, que este, apesar de ser jovem, simpático e tudo o mais, não me parece ser uma pessoa de tutano, com vontade própria, projetos claros, e, na minha opinião, já virou figurinha conhecida depois que participou como vice (sem expressão) no governo Betinho e é muito comprometido com os “interesses” de velhos figurões da política local.

Votei, sim, no FAUSTO AMARAL. Sempre tive vontade de ver este moço à frente de uma empreitada maior, depois de vê-lo brilhar na presidência da COOPA.

E fico não querendo acreditar que o Fausto esteja cem por cento de acordo com todas as mexidas ocorridas nesse início de governo, mormente na composição da equipe administrativa.

Não é possível que ele assine embaixo, concordando com tudo em gênero, número e grau. Nunca tive convívio com ele, mas posso imaginar que ele deve estar engolindo muita coisa calado em nome da arte de exercer a atividade política, agora na prática.

Mesmo porque, legalmente, se pegarmos as leis ao pé da letra, vice-prefeito não manda muita coisa nada, só participando efetivamente quando é convocado pelo prefeito.

Quando eles (os políticos eleitos para o poder Executivo) dizem que vão prestigiar seus vices, tudo não passa de jogo de cena. Com Ildeu Pinheiro foi assim; com Lucas Siqueira também; com Jorge Marra idem. Com Fausto Amaral não será diferente, vocês vão ver.

Até agora não vi a cara dele na composição da atual equipe. A Secretária da Fazenda pode até ser filiada ao PT, mas está lá como figura neutra, pois naquela área não poderá implantar projeto algum que lembre o estilo petista de governar.

E digo, com franqueza, que a equipe administrativa atual está mais com cara de Romeu Queiroz, Betinho, Eduardo Arantes e companhia ilimitada.

Está, sim, com cara de “déjà vu”, ou seja, aquilo que dá a impressão de já ter sido visto ou presenciado. E, infelizmente, não é só impressão; nós já vimos e presenciamos muita gente que aí está, verdadeiros profissionais do time que ganha.

Como disse o atual Chefe de Gabinete em entrevista (que decepção!): “Nosso grupo político retomou o poder”. O camarada falar uma coisa dessa publicamente, com todo respeito, é pensar muito pequeno.

Convenhamos: esse negócio de “grupo político” isso é coisa do século passado. Não será por essa e outras razões do mesmo naipe que nossa Patrocínio há muitos anos não evolui?

Então, depois dessa, aí é que eu não sinto mesmo a presença (de fato) do FAUSTO AMARAL no governo.

Pode até ser que ele, em determinado momento pule para cima e resolva mostrar seu estilo. O que eu duvido muito.

Mas voltando à nomeação do Sr. HELTON BORGES, vulgo TIM, para a Assessoria Especial de Gabinete, cargo que lhe dá amplos poderes e entrada franca para cochichar no ouvido do prefeito a hora que quiser, e agora mais poderoso ainda, com procuração e carta branca (nomeado por Portaria) para representar o município junto ao Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse do Governo Federal – SICONV (que é de onde jorra a dinheirama toda), quero lhes contar uma conversa que ouvi de um amigo que ouviu de um outro amigo que estava numa dessas rodadas de wisky de gente em lua-de-mel com o poder.

O Chefe de Gabinete Eduardo Arantes teria confidenciado, em tom até certo ponto queixoso, de que vinha “pagando o pato” pela nomeação “goela abaixo” do Sr. HELTON BORGES para tão expressivas e cruciais funções, mas que, na verdade a nomeação do TIM foi uma exigência do ex-deputado Romeu Queiroz, que, inclusive, o teria indicado ao ex-prefeito de Ibiá Paulo Jibóia, cidade onde, dizem, na quela gestão, o Romeu mandou e desmandou.

Faz sentido, não faz? Claro, ninguém vai confirmar ou desmentir. A verdade é que a presença do Sr. HELTON BORGES (TIM) no coração e cérebro do governo causou e tem causado contrariedade a muita gente, que prefere silenciar, temendo criar mal-estar, represálias, indisposição etc, até porque cada um quer mais é “garantir o seu” e curtir essa fase inicial de governo.

Com o andar da carruagem as coisas ficarão mais claras e atire a primeira pedra quem já viu um governo que não tenha lá seus “esquemas”, seus “eminências pardas”, seus “inocentes úteis”, seus “topa-tudo por dinheiro”.

Infelizmente só me admira o Fausto Amaral concordar com a nomeação de tal nome para ficar tão próximo (para não dizer dentro) do gabinete e cuidar das polpudas verbas do SICONV.

Que bobagem a minha… O PT não teve lá o seu Delúbio e o seu Marcos Valério?

Zé Elói, se você me permitir, gostaria de escrever mais vezes para o seu site, posso? O seu site é muitíssimo lido e, pelo que venho percebendo, é o único que faz a diferença por aí, por acolher opiniões de várias matizes.

Um grande abraço.
Quando voltar a Patrocínio farei questão de conhecê-lo pessoalmente.
Seu admirador,
Gustavo Honório Alves Limírio
e-mail: gustavojornal@bol.com.br