24/09/2011

JP: ‘Empréstimo’ de terreno para construção de hotel foi ‘barganha’

Duas matérias publicadas na edição deste sábado (24) do Jornal de Patrocínio lançaram ainda mais luz a um fato polêmico, a doação de um terreno público de quase 3.500m2 feita pelo prefeito Lucas Siqueira a uma empresa privada para construção de um empreendimento hoteleiro na Avenida Sanitária, em frente ao Supermercado Bernardão Morada Nova.

O processo, que foi colocado em pauta em regime de urgência urgentíssima na 24ª reunião ordinária da Câmara Municipal de Patrocínio e aprovado por unanimidade – no senta-levanta -, autorizou o município de Patrocínio a repassar o terreno em ‘uso de comodato’ ao grupo CCN pelo período de 20 anos (prorrogáveis por mais 20 anos) para a construção de um hotel e um centro de convenções no local.

O Hotel

O empreendimento imobiliário foi lançado oficialmente na terça-feira (20) com as presenças do prefeito Lucas Siqueira e do secretário Thiago Miranda. A construção terá 87 apartamentos e será dotada de um centro de convenções com capacidade para 200 pessoas, restaurante, área de lazer e amplo estacionamento.

A obra já foi iniciada na Avenida José Armando de Queiroz próximo a rotatória da praça da saúde – Rotatória Rotary Internacional. Serão 72 suítes luxo, 6 para portadores de necessidades especiais e 9 suítes máster com banheira de hidromassagem.

A construção deverá começar no prazo máximo de dois meses – a terraplanagem deverá ser terminada em 20 dias e o prazo de entrega estimado é de doze meses com investimento da ordem de 7 milhões de reais. O empreendimento deverá ser enquadrado na conhecida categoria econômica – antiga três estrelas conforme classificação da EMBRATUR.

A renúncia de despesas

As informações repassadas pelo JP dão conta de que um empresário (cujo nome não foi revelado pela publicação) protocolou junto ao Ministério Público na quinta-feira (22) – com cópias para a Câmara a e prefeitura – um pedido de providências e investigações quanto a falta de licitação no referido processo.

“A tese de igualdade de condições tem que ser observada visto que o uso do terreno público tem fins de exploração econômica” – pontuou o JP. A matéria ainda questiona o valor da avaliação levantado pela prefeitura municipal, que deu ao terreno as cifras de 650 mil reais quando, segundo a denúncia, o lote vale algo em torno de 2 milhões de reais.

A barganha

Se tudo isso não bastasse, a coluna ‘ GPS Político’, assinada por Alan Guimarães Machado informa que rumores em rodas de bate-papo dão conta de que a Câmara aprovou o empréstimo do terreno para a construção do Hotel num ‘sistema de barganha, em troca de tanques de gasolina a serem gastos na campanha eleitoral dos senhores vereadores.’ – diz.

‘O grupo possui um posto de combustíveis da bandeira Petrobrás e o líquido é certamente uma moeda forte de compensação.’ – finalizou o AGM two no Jornal de Patrocínio deste sábado, dia 24 de setembro.