28/02/2011

Pesquisadores clonam café arábica; planta é a mais resistente ao ataque do Bicho Mineiro

Pesquisadores da Embrapa e da Fundação Procafé, em Varginha, no sul de Minas Gerais, estão conseguindo clonar mudas de café arábica. Essas plantas são resistentes ao ataque do bicho mineiro, uma praga que pode devastar o cafezal.

Na lavoura de café estão as marcas da praga do bicho mineiro. As manchas claras nas folhas são os sinais de que a lagarta passou. O ciclo da praga começa com uma mariposa que coloca os seus ovos na folha. Eles se desenvolvem dentro de uma espécie de casulo e dão origem à lagarta que se alimenta da folha.

A lagarta pequena, com cerca de quatro milímetros, provoca grandes prejuízos. as folhas atacadas caem, o que acaba enfraquecendo o cafeeiro. O combate é feito com agrotóxicos.

Na Fazenda Experimental da Fundação Procafé, em Varginha, no sul de Minas Gerais, existem 400 pés de uma variedade de café arábica resistente à praga. Eles são clones resultantes de melhoramento genético.

“As matrizes foram selecionadas em regiões onde há grande ataque de bicho negro, principalmente na região de cerrado. As primeiras observações foram feitas pelo Instituto Agronômico de Campinas. Eles observaram que algumas plantas de café arábica cruzadas com outra espécie, produziam plantas resistentes ao bicho mineiro. No final da década de 70, essa plantas vieram com o antigo IBC e de lá para cá iniciou-se o trabalho de seleção de plantas matrizes visando a produção clonal”, explicou Carlos Henrique de Carvalho, agrônomo do Procafé

Mas até chegar às lavouras os clones são desenvolvidos em laboratório. O primeiro passo é a higienização das folhas de pés já existentes com álcool e hipoclorito de sódio para retirar fungos e bactérias. Depois, os vegetais são cortados em pequenos pedaços colocados em uma espécie de gelatina, rica em nutrientes. O material fica seis meses se desenvolvendo no escuro e se transforma em calos. Hormônios do crescimento ajudam na multiplicação do material genético. Cada folha é transformada em muda, levada à Casa da Vegetação, um lugar com o clima regulado entre 22º e 29º.

Na última fase a muda está pronta para ir para as lavouras. De acordo com a Embrapa, testes feitos em fazendas experimentais da Procafé no sul de Minas Gerais durante cinco anos já comprovaram que os clones são realmente resistentes ao bicho mineiro. Agora, a ideia é fazer com que as mudas sejam produzidas em larga escala.

Para sair da fase de experimentação o projeto deverá contar com as cooperativas de café do sul de Minas Gerais.

As pesquisas demonstram que uma infestação severa do bicho mineiro, com queda das folhas na época da florada, pode reduzir a produção do cafeeiro em até 50%. Essas plantas resistentes são a nova esperança de enfrentar a praga com menos gasto na lavoura.